A rotina de navegações de longa duração inclui, muitas vezes, dias sem qualquer interrupção. Nesse caso, um companheiro é fundamental para aqueles que estão em alto mar: o piloto automático. O aparelho, que trabalha conectado à cana do leme, recebe instruções do GPS e conduz o barco.
“A manutenção de um rumo firme no mar é uma arte que requer experiência e dedicação. O piloto automático faz isso com facilidade”, garante o velejador Fabio Constantino, que por quase dois anos navegou a bordo do veleiro “Flyer” pelo Atlântico com a esposa Miriam Mesquita e os filhos Caio e Rafael.
Longe da terra
Fabio conta que comprou o veleiro em 2009 e iniciou sua viagem em 2010 (a jornada terminou em março de 2012). Entre os momentos marcantes estão “as conversas vendo as estrelas em noite sem lua, a mais de mil quilômetros de qualquer porção de terra”. Permanecer tão longe de continentes e ilhas só é possível graças ao piloto automático.
O funcionamento do aparelho depende da cartografia digital. Após traçar o rumo nas cartas, o navegador deve transferir os dados pelo GPS. Mesmo em um barco pequeno (como o Flyer, de 30 pés), o sistema garante a navegação.
“Ele recebe instruções do GPS e conduz o barco. O GPS é programado com seu roteiro através de um computador. Você dá ao piloto automático uma estrada digital e ele segue. Parece complicado, mas não é”, garante Fabio Constantino.
Segurança em primeiro lugar
O uso do piloto automático requer uma série de medidas de segurança. Uma delas é contar com um radar ou um sistema automático de identificação (conhecido pela sigla em inglês “AIS”, de “Automatic Identification System”).
“No Flyer, optamos por manter o AIS, pois o radar consome mais energia do que o que tínhamos disponível. O AIS recebe e mantém informações de todos os navios e barcos em um raio de alguns quilômetros, e dispara um alarme se houver algum risco a navegação”, explica Fabio.
Vigilância
Além disso, é preciso manter uma vigilância contínua. Nem o melhor dos pilotos automáticos substitui a mão humana. No Flyer, Fabio, Miriam e o filho mais velho, Caio, então com 16 anos, faziam uma escala. A cada três horas um deles ficava a postos. Como a responsabilidade da condução era de Fabio, em caso de necessidade ele era chamado pela esposa ou pelo filho.
“A vigilância é cansativa, mas seria muito mais – e também mais arriscada – sem o piloto automático”, aponta Fabio. “E vigilância não é condução. Vigiar depende de uma pessoa que tenha responsabilidade para ver o que passa e, se necessário, acionar o condutor para solicitar ajuda ou para reportar algum problema”, conclui.